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Pra lua..
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Escoltado pela lua que clareava todo caminho, fui feliz pra casa, como se fosse um passarinho, que de volta pro ninho se refugia em segurança. No caminho de céu estrelado, fui com todo cuidado,e parei pra prestigiar a imensa lua que linda me seguiu o tempo todo, eu ali em alvoroço, imaginando como ia descrevê-la em meu texto. Emocionei-me muitas vezes na estrada, naquela noite enluarada fui menino travesso, foi recuperando meu endereço, fui tomando meu prumo, e sem perder o rumo, fui eu por inteiro.De novo,a saudade me chamava atenção pras recordações de infância, então me via criança e, com desejo de doce de abóbora adormeci. Acordei já perto de casa,lembrei da mãe e no meu íntimo dizia:só mais algumas cidades e estarei ai! Contei placas, postos policiais, vi no escuro paisagens e balé nos canaviais.Santa Mariana,última cidade,vinha muito aqui pendurado no colo de meu pai,eram domingos intermináveis, futebol de fazenda, era a febre da cidade. Eu, moleque travesso, torcia sempre por chuva. A Kombi dele atolava, eu corria pro volante e era festa até a chegada. Barro, lama, gente emporcalhada, as chuteiras eram vestidas antes do campo, pra se chegar até a entrada. Eu tinha a minha é claro, mas com ela não fazia nenhuma jogada, enfrentava era o atolereiro que tinha na estrada. Na hora de ir embora mais diversão, todo mundo cansado e claro depois da cerveja,o barro fica a melhor opção. Então lá ia eu pra direção e como filho do dono da condução, fazia o que queria, e pra sacanear sempre puxava o freio de mão. Meu pai gritava:“Andrezinho, sem graça filho, daqui a pouco vem à escuridão”. Eu ria a toa e torcia pra achar mais buracos na via, enquanto isso mais chuva caia, e meu domingo era o melhor. Faltam 11 km, não vejo a hora, a distância parece que aumenta, e a vontade de beijar minha mãe me assola. Cheguei! Já sinto o cheiro dessa terra que tanto amo, desse pedaço do meu terreno, pedaço importante do meu caráter, da minha educação, do meu objetivo enquanto homem, dos sentimentos que me movem em reação. Desci a rampa à procura de um olhar conhecido de um velho amigo ou pessoas de vivem aqui,fui caçador de rostos, logo na chegada vi fotos de como tudo mudou. Meu Deus de novo estou em casa, de volta pra minha terra, o lugar que me viu nascer. Mas um pouco vejo a baixinha, que vem logo em seguida com um olhar lindo de morrer. É minha mãe, minha querida, a mulher da minha vida, aquela que fez teu filho crescer, mesmo longe sei da tua luta, do quanto me ama, e o quanto torce pra tudo acontecer, mulher de fibra, âncora da família, nossa matriz nossa ideologia, me abraçou como se tivesse esperado muito tempo pra me ver. Não éramos só nós, no céu, aquela mesma lua, que prata brilhava na estrada, agora já amarelada, pois mais um pouco ia se esconder. Dei adeus a minha companheira, agradeci sua presença, e prometi pra ela escrever!


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